A REESTRUTURAÇÃO DA INDÚSTRIA DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL E O COLAPSO NA FORMAÇÃO DE ENGENHEIROS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO A PARTIR DA CRISE DE 2014

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36398/bprr.v22i74.159

Palavras-chave:

Reestruturação Produtiva, Indústria de Petróleo e Gás Natural, Crise do petróleo de 2014, Empregos formais na Engenharia, Formação Acadêmica em Engenharia

Resumo

A partir de 2014, a indústria de petróleo e gás natural no Brasil vem passando por um processo de reestruturação setorial que tem tido rebatimentos profundos nos territórios impactados pela estrutura de produção da cadeia produtiva e pelas rendas petrolíferas oriundas da exploração dessas commodities, como é o caso, principalmente, da região produtora de petróleo e gás natural do Estado do Rio de Janeiro (ERJ). Ao mesmo tempo, vem se somando a esse processo de reestruturação, em nível nacional, uma crise política e socioeconômica derivada fundamentalmente do impeachment da presidente Dilma Rousseff e da Operação Laja Jato. Diante deste quadro, este artigo tem o objetivo de analisar os impactos dessa crise nos níveis de empregos formais dos engenheiros e no sistema de formação de engenheiros no Brasil e, em especial, no ERJ, em função de sua forte dependência econômica das atividades de exploração e produção do petróleo e gás e de suas rendas. A pesquisa desenvolvida tem caráter exploratório e descritivo, uma vez que visa identificar e descrever os fatores que influenciaram a crise do petróleo e a instabilidade política e socioeconômica e seus desdobramentos no processo de reestruturação na indústria de petróleo e gás. O artigo busca também, por sua vez, descrever o impacto dessas transformações tanto sobre o estoque de empregos formais dos engenheiros e sobre a formação dos engenheiros nas instituições de ensino superior públicas e privadas. As análises apontam para impactos severos na eliminação de empregos formais e na retração no número de matrículas nas engenharias. Esse cenário caracteriza-se como um grave colapso na formação de engenheiros no Brasil e no ERJ, fazendo-se repetir o risco de escassez de engenheiros observado no mercado de trabalho no período de dinamismo econômico, nos anos 2000 e na primeira metade dos anos 2010.

Biografia do Autor

Romeu e Silva Neto, Instituto Federal Fluminense

Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (1990), mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal Fluminense (1993), especialização em Desenvolvimento Local pela Organização Internacional do Trabalho OIT-Turim (2001), doutorado em Engenharia de Produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC Rio (2002), Estágio Pós Doutoral na Universidad Pontificia de Salamanca - Espanha (2006), Pós-Doutorado em Economia Industrial pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008) e Pós Doutorado na Linha de Pesquisa Estado e Política Pública no Programa de Políticas Públicas e Formação Humana PPFH UERJ (2015). Atualmente é Professor Titular do IFF - Instituto Federal Fluminense junto ao PPEA - Programa de Pós Graduação em Engenharia Ambiental e ao Mestrado em Sistemas Aplicados à Engenharia e Gestão (SAEG), e é coordenador do curso de Engenharia Civil do Instituto Tecnológico das Ciências Sociais Aplicadas e da Saúde (ISECENSA). Foi bolsista CNPq SEBRAE do Projeto ALI (Agentes Locais de Inovação) de extensionismo de apoio ao desenvolvimento local por meio da inovação no período 2021-2022 e atualmente (2022-2023) é Bolsista do SEBRAE no mesmo Programa. Foi Superintendente Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Município de Campos dos Goytacazes - RJ de 2017 a 2020. 

Robson Santos Dias, Instituto Federal Fluminense

Graduação em Geografia pelo Instituto Federal Fluminense (2006), mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009) e doutorado em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2015). Atualmente é professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, Campus Cabo Frio. Como pesquisador, tem experiência nas áreas de Geografia Econômica, Análise Regional e Planejamento Urbano e Regional. É pesquisador do Observatório Socioeconômico dos Municípios Produtores de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro (OBPETRO) e do Núcleo de Estudos em Estratégia e Desenvolvimento (NEED-IFF).

Leandro Bruno Santos, Universidade Federal Fluminense

Licenciado e Bacharel em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Campus de Presidente Prudente (2005). É mestre (2008) e doutor (2012) pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, com estágio sanduíche na Benemérita Univerdad Autónoma de Puebla (BUAP). Foi professor Assistente Doutor, entre 2013 e 2015, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Ourinhos. Atualmente é Professor Adjunto do Curso de Geografia, Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ESR), Universidade Federal Fluminense (UFF). É também credenciado como docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPG) no ESR/UFF. Coordena o Núcleo de Estudos em Economia Política Geográfica (NEEPG). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Econômica, atuando principalmente nos seguintes temas: Reestruturação Produtiva e Novas Lógicas de Organização e Localização Industrial; Revoluções Tecnológicas e Território; Grupos Econômicos, Financeirização, Lógicas e Estratégias Espaciais. É autor dos livros "O capitalismo industrial e as multinacionais brasileiras", em co-autoria com Eliseu Savério Sposito, e "Estado e internacionalização das empresas multilatinas". É Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE) desde 2018 e, atualmente, é Bolsista Produtividade do CNPq.

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Publicado

2024-02-17 — Atualizado em 2024-02-17

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